domingo, 27 de maio de 2018

A Vida Secreta dos Animais (Peter Wohlleben)

Há quem diga que os animais não têm sentimentos, que todos os comportamentos se justificam pelo instinto e que coisas como a compaixão, o medo e o luto são elementos exclusivamente humanos. Mas será mesmo assim? Talvez não. Pelo menos, o que resulta deste livro - e de todos os exemplos e explicações nele contidos - é um cenário bastante diferente. Pois pode haver muito ainda por compreender, mas tudo indica que nada é tão simples quanto seria de esperar.
Conjugando explicações simples, experiências pessoais e estudos de diferentes origens, o que o autor faz neste livro não é ditar verdades absolutas - até porque não as há - mas apresentar possibilidades, algumas comprovadas, outras apenas intuídas, de uma visão bastante mais vasta do reino animal. E fá-lo de forma organizada, relativamente sucinta - os capítulos curtos dedicados a diferentes aspectos tornam mais fácil assimilar o conteúdo - e bastante completa. Diferentes tipos de comportamentos, associados a diferentes tipos de emoções, mostram que a vida dos animais é muito mais complexa do que se julga. E, desta percepção, resulta uma perspectiva bastante diferente das interacções entre humanos e animais, e também entre diferentes animais.
Além de facilitar a percepção, a divisão entre as diferentes facetas contribui para tornar mais clara a visão global - a tal visão de um sistema de relações muito mais complexo e variado do que, à primeira vista, poderia parecer. E, sendo certo que mais haveria a dizer nalguns aspectos - pois pelo menos algumas destas características parecem ter motivado vários estudos e investigações - também o é que, mais do que uma exposição exaustiva, o objectivo deste livro parece ser o de traçar uma imagem mais geral. Assim sendo, faz sentido a exposição sintética dos elementos mais teóricos, deixando aos exemplos práticos o papel de reforçar as ideias.
Não deixa de ser, até certo ponto, uma visão algo pessoal, pois, além do conhecimento geral, é às suas muitas experiências que o autor recorre para explicar os seus pontos de vista. Mas, mais do que limitar a perspectiva, esse lado pessoal tem o condão de criar uma sensação de proximidade, que facilita, de certa forma, a visualização de tudo o resto. As explicações são importantes, claro, tal como o que se sabe ou não cientificamente. Mas é o contacto do autor com os animais que torna os seus exemplos cativantes - e, mesmo que essa faceta não dê respostas definitivas, não deixa, ainda assim, de acrescentar às teorias uma base de experiência.
Tudo somado, fica a impressão de uma leitura em que se conjugam teorias, estudos científicos e experiências pessoais para realçar a verdadeira complexidade do mundo animal. Cativante e interessante, uma boa leitura.

Autor: Peter Wohlleben
Origem: Recebido para crítica

sábado, 26 de maio de 2018

A Mulher do Oficial Nazi (Edith Hahn Beer e Susan Dworkin)

Edith nasceu numa família judia em Viena e, rodeada pelo carinho da família, apaixonada e a estudar para se tornar juíza, tinha um futuro brilhante pela frente. Até ao dia em que Hitler invadiu a Áustria e, inevitavelmente, o seu mundo desmoronou. Algures entre a esperança e o desespero, teria de passar pelas provações dos campos de trabalho, de ver partir aqueles que mais amava e até de renunciar à sua identidade para sobreviver aos mais negros dos tempos. Sobreviveu, porém. E esta é a sua história.
Poder-se-á pensar, por vezes, que, sendo este período histórico tema de tantos livros de ficção e de não ficção, o assunto poderá estar, talvez, esgotado. Mas bastam algumas páginas deste livro para perceber que não é assim. Relato real de uma história específica, transporta-nos para o interior de um período aterrador e fá-lo com uma clareza tão perturbadora que é difícil não sentir o impacto das experiências vividas por Edith. E, escrito com uma fluidez que quase evoca um romance, mas com toda a nitidez de algo, sem dúvida, assustadoramente real, faz com que seja difícil ignorar os níveis de crueldade daquele tempo.
Sendo a história de uma sobrevivente, dificilmente se poderia pedir relato mais próximo. Mas há ainda um outro aspecto a marcar na história de Edith - e na forma como esta é contada. É que, no clima de medo constante vivido pela autora, é de onde menos se espera que emergem os maiores actos de bondade e as mais inexplicáveis crueldades. Não só as do regime - ainda que sejam essas, claro, a fonte de todos os males - mas a rejeição de pessoas que deveriam ser as mais chegadas e a protecção inesperada de um alegado inimigo. O lado certo não poderia ser mais fácil de identificar - e, porém, a complexidade das pessoas não se esbateu. 
Não é um romance, ainda que se leia como um, e na vida real não há finais definitivos. E, num período tão negro da história, são inevitáveis os desaparecimentos, as figuras que apenas num contacto fugaz deixaram a sua marca, para nunca mais voltarem a ser vistas. Mas a história de Edith, da inocência de uma juventude normal à calma possível depois do medo, é em si mesma o retrato de todo o contexto da época. E esse - com toda a crueldade e brutalidade dos nazis, sim, mas também com a indiferença dos que escolheram olhar para o outro lado - é algo de simplesmente assustador.
Só há uma coisa fácil neste livro: a forma como a fluidez da escrita e a expressividade com que tudo é narrado nos transporta para o interior da vida de Edith. O resto é um retrato duro e real - e, como tal, imprescindível. Vale, pois, muito a pena percorrer estas páginas, conhecer esta história. E ver o mundo tal como foi - e como não pode voltar a ser. 

Autoras: Edith Hahn Beer e Susan Dworkin
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Antes é Que Era Bom! (Michel Serres)

Provavelmente, já todos nós ouvimos dos mais velhos uma ou outra variante desta expressão: antes é que era bom! Mas será realmente assim? Quando se trabalhava de sol a sol, com poucos ou nenhuns direitos, quando os tormentos da guerra e do autoritarismo se espalhavam pelo mundo, quando comunicar com alguém levava semanas ou meses - se fosse sequer possível... Ainda assim, há quem insista: antes é que era bom. E, neste breve, mas muito certeiro, ensaio, o autor - com os seus oitenta e sete anos - vem mostrar como estão errados esses saudosistas.
Sendo um ensaio que, apesar da relativa brevidade, discorre sobre as mais distintas facetas da sociedade actual e passada, não é de esperar que seja uma análise exaustiva. Não o é, de facto. Mas, ao cingir-se ao essencial, faz com que os contrastes sejam mais vincados, as mudanças mais fáceis de detectar e a evolução bastante mais evidente. É um texto que dá voz ao saudosismo - para depois o desfazer em múltiplas facetas. E, não sendo particularmente aprofundado em nenhum dos seus aspectos, consegue, ainda assim, traçar um retrato global deveras esclarecedor.
Também muito certeiro é o sentido de humor que permeia todo o texto. Além de, claro, tornar o texto muito mais cativante, ao pôr em evidência o que não faz sentido no sempre tão presente saudosismo, realça os benefícios das diferentes formas de evolução, sem nunca perder de vista a necessária assimilação - e, claro, a forma como os pensamentos mudam gradualmente. Há, por isso, toda uma imagem global a surgir do contraste entre a Polegarzinha e o Velho Ranzinza. E uma certeza também: a de que, saudosismos à parte, o mundo continuará a evoluir. Até porque o tempo não pára...
Há ainda um último aspecto a destacar: a edição. Sendo como é um livro relativamente breve, e bastante sintético em termos de exposição de conteúdos, o aspecto visual diferente e apelativo dá ainda mais vida a um texto que já tem vida suficiente. Ao primeiro olhar, desperta curiosidade. E, ao longo da leitura, contribui também para reter na memória o essencial da sua visão.
Trata-se, portanto, de uma leitura rápida e simples, mas muito pertinente e esclarecedora. Além, é claro, de um livro bonito, o que, não sendo provavelmente o mais importante, ajuda também a tornar a leitura memorável. Cativante e muito interessante, uma boa leitura para ver com mais clareza o passado e o futuro.

Autor: Michel Serres
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Batman - Vigilante Noturno (Marie Lu)

Acabado de fazer dezoito anos - e de ganhar acesso à fortuna da família - o jovem Bruce Wayne anda à procura do seu lugar no mundo. Enquanto jovem milionário, é alvo da sempre indesejável atenção da comunicação social e, por mais que tente, nunca se conseguirá livrar dela. Mas algo está prestes a mudar na vida de Bruce. Quando se mete no caminho de uma perseguição policial, acabando por deter o criminoso, ganha também uma pena de serviço comunitário no temível Asilo Arkham, onde estão presos os mais terríveis criminosos. E é aí que vê Madeleine pela primeira vez. Enigmática e estranhamente fascinante, apesar do seu negro historial de crime, não lhe é difícil despertar a atenção - e a simpatia - de Bruce. Mas, associada aos Noturnos, um bando que ataca os ricos da cidade - e respectivos legados - o mais certo é que ela não seja que parece. Tudo o que diz deve ser visto como mentira. Mas porque é que Bruce tem a sensação de que talvez não seja bem assim?
Um dos aspectos mais cativantes deste livro - como, aliás, do anterior desta mesma série - é que, apesar de terem como protagonistas personagens sobejamente conhecidas, não é preciso saber grande coisa da sua história para apreciar este livro. Esta é a história de Bruce Wayne antes de ser Batman e, talvez por isso, de um Bruce um pouco mais inocente. E, sabendo-se pouco, muito ou nada sobre a figura de Batman, é fácil sentir empatia e proximidade para com este jovem Bruce Wayne, um pouco perdido na sua condição, mas sempre nobre e decidido a seguir o que julga estar certo.
Também particularmente marcante é a forma como as linhas aparentemente definidas entre o certo e o errado se esbatem ao longo da história. Bruce é a potencial vítima, mas é muito mais do que isso. E Madeleine... bem. A sua estadia em Arkham faz com que surja como uma criminosa. O que Bruce vai descobrindo sobre ela confere-lhe uma posição muito diferente. E a verdade, que nunca é bem uma nem outra, é algo bastante mais complexo e inesperado.
O que me leva ao elo que une todas estas facetas numa leitura intrigante, surpreendente e incrivelmente viciante. É que, a estas personagens inesperadamente complexas, junta-se o ambiente sombrio e fascinante de Gotham City e um enredo onde perigo, acção, humor, mistério e emoção surgem precisamente nas medidas certas. No início, é fácil entrar na cabeça de Bruce Wayne. E, uma vez lá dentro, difícil é não querer saber o que lhe acontece a seguir.
Não propriamente Batman, então, mas um Bruce Wayne em desenvolvimento - e um Bruce Wayne (para citar uma das personagens) irritantemente nobre. Uma figura em formação, mas que, com a força do que o faz mover e a intensidade das situações em que isso o envolve, protagoniza uma história que vale por si mesma, independentemente do seu percurso futuro. Uma história intensa, misteriosa e fascinante. Imperdível, em suma.

Autora: Marie Lu
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Somos os 99% (Marc Grañó e Gonzalo Fanjul)

Desigualdade. É uma palavra que parece estar em toda a parte, principalmente desde que a crise trouxe grandes mudanças e problemas sociais. Mas o que é a desigualdade? De que formas se manifesta e que consequências traz consigo? A resposta está neste livro que, através de cinco histórias muito distintas, ilustra as principais formas de desigualdade e o que se pode fazer para lidar com elas.
Uma boa boa palavra para caracterizar este livro será, inevitavelmente, pertinente, ou não fosse a desigualdade um elemento central - e um problema essencial - da sociedade. E um dos aspectos mais cativantes deste livro é que, apesar de construído de forma a ser acessível a leitores mais jovens, é igualmente pertinente e esclarecedor para leitores de todas as idades. Os exemplos simples, mas certeiros, acompanhados de explicações claras, mas nunca simplistas, põem em evidência as características essenciais desse grande monstro chamado desigualdade - e de que forma estes elementos se repercutem na vida das pessoas. O resultado é um livro claro, cativante e, acima de tudo, relevante, que pode - aliás, deve - ser lido por todo o tipo de leitores.
Além de esclarecedor, é também muito agradável de se ler, com a história dos seus protagonistas a dar vida e clareza a explicações que, de forma mais teórica, poderiam ter sido bem mais monótona. Além disso, os gráficos e ilustrações têm o condão de, além de tornarem o livro mais bonito, facilitarem em muito a visualização de alguns elementos importantes.
E é também um livro bastante completo. Não no sentido exaustivo - ou seja, não se perde em explicações e teorias económicas nem nada que se lhe pareça - , mas no sentido em que permite ficar com um retrato global bastante preciso das desigualdades sociais, sem se esquivar aos elementos mais sombrios, mas apresentando sempre também as possibilidade e soluções que se podem procurar.
Tudo somado, trata-se, pois, de um livro para despertar consciências, sejam elas mais ou menos jovens. Pertinente, cativante e muito agradável de ler, um muito bom livro para entender - e combater - as desigualdades sociais. Muito bom.

Título: Somos os 99%
Autores: Marc Grañó e Gonzalo Fanjul
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidades Topseller

Uma ilha bela e perigosa.
Um segredo escondido dos olhos do mundo.
Um barco naufraga nas turbulentas águas do Lago Superior, no Canadá. Entre os seus destroços são encontrados os diários do antigo faroleiro da remota e selvagem ilha de Porphyry, assim como a verdadeira história das suas filhas gémeas: Elizabeth e Emily.
Há décadas que Elizabeth, agora cega e a viver num lar de idosos, procura a chave para o seu passado. Contudo, sem poder confiar nos seus olhos para ler as páginas gastas dos diários, ela pede ajuda a Morgan, uma adolescente que cumpre serviço comunitário no lar.
Página a página, uma amizade improvável floresce, e enquanto Morgan lê, Elizabeth viaja até à sua infância, à ilha isolada e à memória da sua enigmática irmã gémea. Até que as coincidências nas histórias de vida de Elizabeth e Morgan lhes mostram que os seus destinos estão ligados à ilha de uma maneira que nunca imaginaram.
Uma história sobre promessa, identidade e lealdade.

Jean E. Pendziwol nasceu em Thunder Bay, no Canadá, e passou a sua infância a bordo do barco da sua família a explorar as ilhas e baías do mar interior.
Depois de trabalhar como escritora e fotógrafa freelance, a autora focou-se na sua família antes de publicar o seu primeiro livro infantil, No Dragons for Tea: Fire Safety for Kids (and Dragons).
O seu primeiro romance adulto, O Farol no Fim do Mundo, tornou-se um sucesso internacional, estando publicado em mais de dez línguas.

Do norte, chegam rumores.
Os mortos caminham novamente entre nós.
Será verdade?
A Rainha Vermelha está velha. Ainda assim, controla todo o poder no seu vasto império. Jalan Kendeth, o seu neto, não tem tais preocupações. A bebida, as mulheres e uma vida longe de todas as responsabilidades mantêm-no ocupado.
Por isso fica tão surpreso quando é chamado a ouvir estas histórias da boca de escravos e prisioneiros. Porque quereria a Rainha Vermelha envolvê-lo? Quando Snorri, um guerreiro nórdico, conta uma história de cadáveres devolvidos à vida e do Rei Morto, Jalan só pensa nas várias formas de o utilizar para ganhar dinheiro. São fantasias, o que conta. Mitos. Histórias de encantar.
E é por isso que Jalan fica tão frustrado quando a magia o liga a Snorri. Agora vai ter de ir ao norte desfazer o feitiço. O que será que os espera?

Mark Lawrence é um escritor britânico, nascido nos Estados Unidos, que tem vivido a sua vida entre estes dois países. Doutorado em matemática pelo Imperial College em Londres, trabalhou na América em vários projectos de investigação, nomeadamente no projecto de defesa antimísseis conhecido como «Star Wars».
Não acreditava que pudesse ser escritor, e ficou estupefacto quando uma modesta tentativa para conseguir agenciamento se transformou num contrato de representação global. Essa primeira aventura, a Trilogia dos Espinhos, está publicada na Topseller desde 2016. Com este livro, começa a segunda, A Guerra da Rainha Vermelha.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Da Gaveta (Isabel Tallysha-Soares)

A Mãe mudou-se para a gaveta e, a partir daí, também a vida mudou. Agora, presa numa guerra que ela própria acolheu, sabe que precisa de enfrentar a sua própria mortalidade e encontrar respostas que não imagina que conhece já. Mete-se, pois, um avião e parte, sem saber que, no deserto, a aguarda algo que sempre conheceu - e uma verdade que, combatida por muitos, não deixa por isso de ser verdadeira. A descoberta é, acima de tudo, de si mesma. Mas, quando voltar, será ainda a mesma pessoa?
Provavelmente o aspecto mais fascinante deste livro - e tem-nos em abundância - é a peculiaridade da voz. Para a sua enigmática protagonista, a autora constrói um percurso de enigmas e fá-lo num registo situado algures entre a introspecção e a revelação, voltado ora para o interior, ora para o passado, ora para algo de indefinível e intemporal. E tudo é estranho, mas tudo flui com naturalidade, a um ritmo onde cada frase memorável abre caminho a novas revelações. 
Há como que uma fluidez que parece imitar os pensamentos da protagonista, partindo das recordações da infância e de uma perda profundamente sentida, para depois se abrir a um mundo mais místico, feito de fé e de mistério, de revelações que conduzem depois a um regresso mais sábio. Quotidiano e espiritualidade fundem-se num equilíbrio delicado e, quando os elementos místicos surgem de forma inesperada, parecem ainda assim estar no lugar onde pertencem. Tudo pertence, aliás, ao embalo da história - e é isso, mais que as respostas dadas ou implícitas - que fica na memória uma vez terminada a leitura.
Claro que os elementos místicos - e a forma como surgem - acrescentam também um foco de estranheza. Mas, longe de quebrar a fluidez do enredo, acrescenta-lhe uma nova envolvência, pois é colocada num ambiente estranho que a protagonista faz as maiores descobertas. Além disso, essa espécie de rito de passagem dá a tudo o resto um novo matiz, tornando a história mais vasta e mais marcante o percurso pessoal.
História de mistério e de estranheza, trata-se, pois, de um livro surpreendentemente natural, quer pelo percurso da protagonista, quer pelas revelações que esse caminho lhe traz. E, cativante pelo caminho e pela escrita, consegue surpreender sem grandes choques, mas antes numa jornada de revelação. Belo, cativante, surpreendente... muito bom.

Título: Da Gaveta
Autora: Isabel Tallysha-Soares
Origem: Recebido para crítica